Passei uma semana do cacete, fazendo uma matéria especial sobre o Dia da Mulher. Uma coisa de louco! Mas foi uma daquelas ocasiões em que senti que tenho muita sorte em trabalhar em redação. Veja só: conheci a primeira taxista de Santos, entrevistei uma jogadora de futebol e encontrei uma astrônoma vicentina morando em Londres.
Até que, lá pela quarta-feira, comecei a sentir um friozinho na barriga, um surto descontrolado de insegurança. De vez em quando, eu duvido dos meus textos. É que meu sonho sempre foi ganhar a vida escrevendo e, hoje, posso dizer com todas as letras que essa é a minha profissão.
Tudo muito bom, tudo muito bem - acontece que, em jornal, escrever é o de menos. A coisa fica tão mecânica, tão burocrática, que acaba te consumindo. E o desejo de contar histórias continua lá, insistente… Aí, eu começo a achar que não sei porra nenhuma, que sou uma imbecil sem talento, uma poser que engana bem. Tem umas 5.308.217 pessoas nesse mundo que fariam o meu trabalho muito melhor que eu. Mas, uma matéria como a que eu terminei hoje, apesar de extenuante, faz tudo valer a pena. E até mesmo resgata meu entusiasmo em escrever por prazer. É para isso que existe blog. Mesmo que eu deixe esse lado de mim meio esquecido, por causa da correria do dia-a-dia, ele sempre estará lá. Vamos ver se consigo lembrar dele com mais frequência.
Para quem pediu um update (com direito a ameaça e tudo, né?), acho que hoje foi um bom começo…